Coimbra inaugurou recentemente um “percurso de corrida” novinho em folha.
500 e 1100 metros de alcatrão a dar voltas como uma cobra entediada — mesmo ao lado do rio onde já corre toda a gente, de graça.
É uma obra-prima de desperdício — de espaço e de dinheiro público.
Em vez de melhorar o percurso natural junto ao Mondego, que é bonito e funcional, a Câmara decidiu gastar milhares de euros num circuito artificial que ninguém pediu e ninguém usa.
Quase se adivinha a conversa:
“Temos de gastar o orçamento do desporto.”
“Mas as pessoas já correm junto ao rio.”
“Perfeito! Fazemos outra pista ao lado!”
É este tipo de gasto público que irrita — não por ser mal-intencionado, mas por ser absurdo. É o resultado de decisões feitas para a fotografia, não para as pessoas.
Passe lá de manhã e veja: vazio. Um monumento à imaginação burocrática — e ao dinheiro dos contribuintes transformado em alcatrão colorido.
Não seria melhor arranjar passeios, melhorar a iluminação ou cuidar da margem do rio?
Mas claro, isso não dá direito a fita vermelha nem a placa com logótipos.
Mais um “investimento” que ninguém usa, pago por todos nós.